sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Trabalhadores questionam enquadramento sindical das gráficas rápidas


Os dirigentes sindicais dos trabalhadores gráficos das regiões Norte e Nordeste discordam do enquadramento sindical estabelecido ao perfil dos profissionais que trabalham na empresas classificadas como gráficas rápidas no Brasil. Hoje, a maioria dos trabalhadores está sendo considerado como comerciário, mas os sindicatos dos gráficos do Pará, Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Bahia questionam este posicionamento.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Estado do Pará, Martinho Souza, a gráfica rápida faz crachá, cópias coloridas e muito mais coisas que são produzidas em uma gráfica convencional. “A diferença entre elas é a velocidade em que se produz e o método operacional de trabalho, porém não deixa de ser um trabalho de gráfico”, diz Rogério Andrade, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Ceará.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Gráficos (Conatig), Leonardo Del Roy, o debate acerca das gráficas rápidas é de grande prioridade para toda a categoria gráfica. “A impressão digital é o futuro da indústria gráfica”, diz, destacando a necessidade da inclusão desta pauta nas discussões dos sindicalistas no momento das negociações com o empresariado. A Conatig estabelece que o produto das indústrias gráficas é todo produto impresso que contemple as etapas de  pré-impressão, impressão e acabamento, independente do suporte ou base em que for impresso.

Entretanto, há muitos empresários que não querem negociar este posicionamento, conforme denuncia o sindicalista do Pará. “Eles dizem não ter nenhuma relação com o problema”, revela Martinho.  O patronato pernambucano também segue a mesma cartilha. Porém, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Pernambuco, Iraquitan da Silva, alerta que os patrões também serão prejudicados, porque as gráficas rápidas concorrem diretamente com as indústrias gráficas.

“Atualmente, os trabalhadores das gráficas rápidas ou estão vinculadas aos sindicatos dos comerciários ou ao do papel”, diz Iraquitan. Porém, a Conatig denuncia que às vezes, os donos das gráficas rápidas dizem que os trabalhadores estão afiliados a uma dessas classes, mas na verdade não estão relacionados em nenhum deles. “Independente do atual cenário, o fato é que esse debate requer dos dirigentes dos trabalhadores gráficos uma maior capacidade para discutir e reformular este debate”, conta Iraquitan. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário